Entrevista com Presidente da Tiffany








Michael Kowalski, presidente da Tiffany: "Quem diz ter certeza que nunca comprou um 'diamante de sangue' está mentindo"
Apesar de ter ficado conhecida no mundo todo por causa do filme Bonequinha de Luxo, de 1961, a marca Tiffany passou quase 150 de seus 175 anos concentrada em sete lojas nos Estados Unidos. Foi só a partir de 2000 que a Tiffany decidiu expandir seus negócios globalmente.
Em uma década, a joalheria praticamente dobrou o número de lojas, para as atuais 272. Seu presidente mundial, o americano Michael Kowalski, repete em cada país que visita que luxo não tem a ver com preço e não é exclusividade dos muito ricos
O senhor fala que tem uma visão democrática do luxo. O que isso significa?
 Não gosto muito do termo “luxo”. O verdadeiro luxo está no design, que pode ser apreciado por qualquer um que tenha inteligência e sensibilidade. Não é uma questão de renda ou de preço. Temos joias de prata que custam 200 dólares e já vendemos peças por 6 milhões de dólares. Queremos que qualquer pessoa entre nas lojas da Tiffany, mesmo se ela não puder pagar por nossos produtos. 
 Seus vendedores estão preparados para isso? 
 Antigamente, havia vendedores que observavam se o cliente estava vestido corretamente. Isso é coisa do passado. Você nunca pode prejulgar um cliente. Isso é inaceitável. Treinamos nossos funcionários para que eles não pensem no que vão vender nos próximos 45 minutos. Uma pessoa pode passar a vida inteira para comprar um diamante. Queremos vender quando ela puder comprar. 
 Mas luxo não é atrelado a exclusividade? 
Na verdade, é atrelado a qualidade. Fazemos a maior parte de nossas joias. Compramos o diamante bruto e o lapidamos. A maior parte de nossa energia sempre esteve concentrada no design. Para falar a verdade, não éramos muito bons em marketing. Muita gente sabe algo sobre a Tiffany porque viu o filme Bonequinha de Luxo. Mas a maioria não sabe que a empresa tem 175 anos de idade. 
 De onde a Tiffany compra diamantes?
 De minas em Serra Leoa, Botsuana, Namíbia, Canadá, Rússia. Ou seja, de vários lugares. Mas nosso time acompanha o processo em todas as minas para garantir que não sejam “diamantes de sangue” (originários de zonas de conflito). 
O senhor sabe se, em algum momento, a Tiffany comprou “diamantes de sangue”? 
 Se alguém disser que tem certeza de que nunca comprou, está mentindo. Há 15 anos, o mercado de joias não olhava para isso. Mas a única forma de lidar com o problema é não comprar diamantes polidos de intermediários. Para saber a origem da pedra, é preciso comprar diretamente da mina.
 Por que a Tiffany demorou tanto tempo para se internacionalizar? 
 Somos uma empresa disciplinada e conservadora em termos de expansão de lojas. Queremos garantir que nossas lojas sejam rentáveis em qualquer lugar. Só há oito anos começamos a pensar que precisávamos virar uma marca global.

Um pouquinho da história da joalheria aqui
Fonte:Revista Exame

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